Todo ano se inicia com as inevitáveis profecias e considerações sobre o futuro, com as cerimônias dos que se elegeram em diversos graus de poder, com a cobertura superdimensionada da mídia sobre balanços anuais, e com os mesmos horrores que ameaçam o bem-estar da humanidade como os desastres ambientais, as ameaças à paz mundial e as promessas enganosas que trocam a saúde pelo corpo ideal e a felicidade plena. E assim, segue o seu roteiro a novela humana, um seriado de 350 mil capítulos exibida no streaming da vida.
Como ensina a doutrina de Cafh, poderíamos chamar essa sucessão de “fatos” como “devenir”, um verdadeiro show da vida que não cessa jamais, independentemente do canal pelo qual o acessemos e o quanto evitemos acompanhá-lo. Somos os protagonistas – pelo menos naquilo em que podemos exercer essa faculdade sem prejuízo de nossas responsabilidades e compromissos assumidos –, ainda que desejemos exatamente evitar esse papel.
E nesse estreito nicho de escolha que se abre para nós, entra a capacidade de análise e discernimento de que dispomos. O que me interessa deixar entrar em minha mente e no meu coração? De tudo que vejo, ouço, percebo, falo ou a que reajo organicamente, quais são os verdadeiros desafios ao desenvolvimento do meu estado de consciência?
Atualmente, parece estar se espraiando um desalento enorme, uma desolação no que toca ao futuro da humanidade pelo circo de horrores que desfila permanentemente a nossa frente. Podemos evitar esse sentimento? Há como manter a nossa esperança e a fé na evolução da humanidade? E a confiança em que o plano de evolução divino (em que nós acreditamos) se cumprirá, mesmo a despeito de as circunstâncias atuais não serem nada favoráveis?
Eu acredito piamente que está dentro de cada um de nós, seres humanos, a possibilidade de superar todos os entraves, de vencer as circunstâncias desfavoráveis e de restabelecer o equilíbrio social e ambiental. Bem como acredito que podemos contribuir decisivamente para alcançar a todos com nossas palavras, pensamentos e ações, numa onda progressiva de amor e esperança.
Perdoem-me os que discordam dessas reflexões ou as consideram apenas otimistas e ingênuas, seja por pragmatismo, seja pela incapacidade de sonhar e idealizar o melhor, ou mesmo pelo cansaço imposto pela vida exterior. Estou certa de que não estamos sós, que há forças cósmicas e seres iluminados que nos guiam e nos impulsionam quando franqueamos as portas das nossas mentes e corações para eles. Basta seguirmos os nossos valores mais caros e dar vazão à humanidade que pulsa em nós e nos leva a querer reconhecer e acolher os demais, sem discriminação alguma, deixando escorrer a seiva da compreensão e do amor, fazendo-nos permeáveis à beleza da criação e à fartura da mãe terra.
Caminhemos assim em direção ao mistério do transcendente, deixando que essa vibração de amor abra o atalho para nos refugiarmos nos momentos de desalento e restaure as forças de que necessitamos para seguir acenando vigorosamente para toda a humanidade. Com fé absoluta no que podemos criar de novo e melhor para nossa vida neste planeta e para todos os seres que o habitam, trabalhemos juntos, gratos e felizes por este ideal, que ele há de se concretizar!
Dulce Otero



