Na matéria anterior falamos dos desafios impostos, tanto na pratica da sustentabilidade, quanto na pratica da economia providencial, e que os mesmos implicavam em uma tomada de consciência do ser humano em dois sentidos:
– no desafio de tomar consciência de que somos seres sociais e interdependentes entre si, e dependentes da disponibilidade de recursos do planeta;
– no desafio de tomar consciência e mudar os hábitos já enraizados por hábitos mais saudáveis e sustentáveis, por exemplo, com relação consumo e à produção de resíduos.
O primeiro caso refere-se à tomada de consciência de que somos todos seres interdependentes, e que a manutenção de nossa vida depende dos demais seres (na produção, na troca, na socialização etc), e substancialmente dos recursos naturais e da capacidade de reprodução destes recursos por parte do planeta em que vivemos. Isto é, sem dúvida, uma condição ‘sine qua non’ para a sobrevivência da espécie humana na Terra e depende diretamente do grau de evolução de consciência da sociedade. Enquanto o sentido da vida passar pelo individualismo, pela ganância e imediatismo, essa evolução estará comprometida.
A possibilidade de mudança a partir do segundo desafio refere-se à troca de hábitos e depende de decisões de cada indivíduo podendo, inclusive, ser realizada de forma escalonada, pouco a pouco. Obviamente que isto implica em um esforço de transformação cultural que também pode ser fator de exclusão por parte de grupos sociais. Creio que este desafio se impõe a partir da conscientização relacionada ao primeiro desafio acima descrito.
Compreendendo que a economia providencial incorpora a ideia de sustentabilidade dando um sentido transcendente a essa ideia, como seria praticar a economia providencial e quais seriam suas possibilidades para os seres viventes no planeta?
A economia providencial nos convida a incluir hábitos sustentáveis em nosso cotidiano a partir do uso equilibrado e equitativo dos recursos materiais disponíveis para nossa geração e as vindouras, e a adoção de práticas espirituais com vistas à elevação da consciência de toda a humanidade.
Incluir práticas sustentáveis ao nosso dia-a-dia abrange uma série de propostas relacionadas ao consumo sustentável que envolve, dentre outros hábitos:
– avaliar conscientemente a necessidade de uso do que está sendo adquirido;
– usar com consciência recursos escassos como água e energia;
– reduzir a produção de resíduos;
– descartar adequadamente o lixo doméstico fazendo segregação e destinando aos locais corretos de descarte;
– reutilizar e reciclar o que for possível;
– reduzir/substituir o uso de produtos que contribuem com a emissão de CO2.
O controle da emissão de CO2 é crucial para a manutenção das condições de vida no planeta. Isso requer uma série de ações, tais como a substituição do uso de veículos por outras formas de deslocamento, ou mesmo o uso compartilhado de veículos. Além disso, se requer a substituição de combustíveis fósseis por combustíveis mais sustentáveis como os combustíveis vegetais, o hidrogênio, e outros elementos que estão sendo intensamente estudados com este fim.
A adoção de práticas sustentáveis são um enorme desafio para a humanidade frente à urgência indiscutível da necessidade de mudanças, e tem sido uma das principais pautas de órgãos e instituições mundo afora.
A Organização das Nações Unidas- ONU tem encabeçado essa discussão convocando as nações de todo o mundo para o envolvimento e comprometimento visando a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODSs. Estes objetivos visam a “…acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade”. Os 17 ODSs definidos pela ONU são:
“01 – Erradicação da pobreza: acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares.
02 – Fome zero e agricultura sustentável: acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável.
03 – Saúde e bem-estar: assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades.
04 – Educação de qualidade: assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.
05 – Igualdade de gênero: alcançar a igualdade de gênero, e empoderar todas as mulheres e meninas.
06 – Água limpa e saneamento: garantir disponibilidade e manejo sustentável da água e saneamento para todos.
07 – Energia limpa e acessível: garantir acesso à energia barata, confiável, sustentável e renovável para todos.
08 – Trabalho decente e crescimento econômico: promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo, e trabalho decente para todos.
09 – Indústria, inovação e infraestrutura: construir infraestrutura resiliente, promover a industrialização inclusiva e sustentável, e fomentar a inovação.
10 – Redução das desigualdades: reduzir as desigualdades dentro dos países e entre eles.
11 – Cidades e comunidades sustentáveis: tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.
12 – Consumo e produção responsáveis: assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis.
13 – Ação contra a mudança global do clima: tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos.
14 – Vida na água: conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares, e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.
15 – Vida terrestre: proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da Terra e deter a perda da biodiversidade.
16 – Paz, justiça e instituições eficazes: promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.
17 – Parcerias e meios de implementação: fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável”.
Dentro de todo o exposto nos perguntamos como nós, seres em busca de expansão espiritual e conscientes de nossa participação no desenvolvimento da humanidade, podemos contribuir em nosso cotidiano para inserir a Economia Providencial em nossas ações diárias como forma de fortalecer os honrosos ODSs – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável?
Ana Luzia Fregonazzi Bottécchia Senn
Referências:
CAFH. A Obra de Cafh. Economia Providencial. 2006.
CAFH. Espírito de Cafh. Os Bens Intrínsecos. 2011.
CAFH. Doutrina. Conteúdo da Doutrina. Economia Providencial. 2013.
NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL. Mudança climática: quais alimentos produzem as maiores emissões de gases de efeito estufa. 2023. Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2023/10/mudanca-climatica-quais-alimentos-produzem-as-maiores-emissoes-de-gases-de-efeito-estufa <acessado em 21 de outubro de 2024>
ONU. Sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável no Brasil. 2024. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs <acessado em 26 de outubro de 2024>
CAFH. Economia providencial: para alem da sustentabilidade. 2024. Disponível em: https://revistacafh.com.br/economia-providencial-para-alem-da-sustentabilidade/ < acessado em 26 de setembro de 2024>
As ideias sobre Economia Providencial podem ser visualizadas em cursos e ensinanças de Cafh, destacando-se: A Obra de Cafh, Economia Providencial, 2006; Espírito de Cafh, Os Bens Intrínsecos, 2011, e Doutrina, Conteúdo da Doutrina, Economia Providencial, 2013.
Em https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2023/10/mudanca-climatica-quais-alimentos-produzem-as-maiores-emissoes-de-gases-de-efeito-estufa, encontram-se maiores informações sobre o tema.
Em https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2023/10/mudanca-climatica-quais-alimentos-produzem-as-maiores-emissoes-de-gases-de-efeito-estufa, encontram-se maiores informações sobre o tema.



