Rimam entre si, mas com matizes desiguais.
A empatia é uma habilidade ou capacidade indispensável na interação humana e no caminho de desenvolvimento espiritual.
A empatia é como um perfume suave que nasce em instantes de beleza. O encontro de palavras, de ideias, de simpatias exala bonitezas, perfumes, próprios de autoconhecimento, expansão da consciência.
O perfume da compreensão, por exemplo, espiritualiza a relação que cada ser humano tem consigo mesmo e com a vida. Já viram o quanto é divina a contemplação de uma flor? É uma experiência de encontro entre essências. Encontros com a vida, através dos quais o ser humano espiritualiza a si mesmo e a flor.
Neste caso, o perfume da empatia é uma força que une e transforma. E segundo Jorge Waxemberg¹, a empatia se manifesta em graus e pode ser aprendida e desenvolvida. Nem todos os seres humanos vivenciam as experiências diárias com o mesmo grau de empatia.
Quais são os graus de empatia?
Do ponto de vista do desenvolvimento da consciência, Jorge Waxemberg¹ faz referência a três estados de empatia: a simpatia, a adesão emotiva e abertura mental.
Hoje vamos refletir sobre o primeiro estado da empatia, a simpatia.
Para Waxemberg², a simpatia é sentir afeto pelos outros. Ou sentir compaixão ou alegria pelo que ocorre com a outra pessoa.
Parece que a simpatia já faz parte de nossas relações diárias e a experimentamos sempre que nos encontramos com as pessoas de que quem gostamos. Os abraços, as palavras carinhosas, o apoio, a emoção de ver, escutar. Às vezes uma pessoa desconhecida, de graça, desperta a nossa simpatia.
Mas a simpatia anda de mãos dadas com a antipatia. Não rimam entre si. Na verdade, elas se “desrrimam”. São sentimentos próprios da convivência humana, uma expressão da lei de atração e reação. Por simpatia aproximo-me das pessoas que me atraem, isto é, pensam e agem como eu. Identifico-me com elas porque somos iguais ou semelhantes. As pequenas discordâncias são perdoadas e esquecidas facilmente.
Por antipatia, afasto-me das pessoas que discordam de mim. Dá muito trabalho conviver com o diferente. Até porque teria que expandir a minha consciência e o meu grau de amor para incluir o diferente. Ignorar ou criticar é mais fácil.
Posso sentir compaixão de quem gosto e, às vezes, de quem não gosto. Um matiz da simpatia que me toca. Um sentimento temporário e frágil que não me move a sair de meu pequeno mundo de simpatia e antipatia. Posso sentir alegria também ao ver a felicidade daqueles a quem amo, dos que me aceitam e me reconhecem. Um vislumbre de simpatia que pode apagar-se facilmente diante da antipatia.
Manter-se nestes pares de opostos entre simpatia e antipatia pode ser uma forma de dar pequenos passos sem sair do lugar. E o caminho fica longo, escarpado. Os sentimentos de simpatia cedem lugar facilmente para a antipatia, criando ora conforto, ora desequilíbrio. Como dar passos expansivos? Passos que abram novos caminhos? Como?
Se você reconhece que está vivendo momento de antipatia e sente uma certa inquietude, é um bom sinal. Melhor sentir simpatia seguida de antipatia do que experimentar a indiferença. Mas não dá para parar aí. Importante querer ir mais além, sentir necessidade de aprofundar a relação humana e, então, aceitar o convite para dar mais um passo. Um convite para experimentar, conscientemente, o segundo grau da empatia, a adesão emotiva.
No próximo artigo, vamos refletir sobre esse estado de empatia, a adesão emotiva. Te espero!
Marilda Clareth
Referências:
1 e 2 WAXEMBERG, Jorge. Empatia, em Prática de Desenvolvimento, 2019, Cafh, p.1



