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Ir mais além dos pares de opostos… Vamos?

Antes, muito antes, há muito tempo, o bem e o mal dialogavam, andavam juntos por dois caminhos, na consciência humana. Será que isto ainda acontece?

Bom… Era um tempo de luta e dominação de pares de opostos. Todos os dias, pares de opostos sentavam-se à mesa para dialogar, aprimorar técnicas de poder. Tinham a missão de pavimentar com muito apego e chamego os dois caminhos.

Tudo era muito fácil. Bastava olhar e alimentar duas perspectivas. Lidar com bem, mal, amor, desamor, noite, dia, positivo, negativo, feio, bonito, alto, baixo, longe, perto… Sob o domínio dos pares de opostos, os seres humanos davam voz e vida à luta incessante para a vitória ou a derrota de um ou do outro oposto. Não havia problema. Quem vencia ou perdia aceitava as regras do jogo.

Mas um dia, uma criança em seus 04 anos de idade, uma menina criou uma grande confusão. Do nada a criança… uma menina, vale lembrar… falou: Mãe, eu quero isto, eu quero aquilo, eu quero aquilo outro… E a mãe escutou a menina. A mãe riu sem entender. Era engraçado? A menina rompia pares de opostos. Não era escolher querer isto ou aquilo! A menina se enveredava em outras possibilidades. Havia desapego dos dois caminhos?

Novos tempos. Deixar os pares de opostos, os dois caminhos, para olhar para uma vastidão, para várias possibilidades.
Dom Santiago Bovisio, em 1937, vislumbrou esse momento quando, em uma Ensinança, fez referência aos 12 raios do amor. Uma ruptura com a ideia limitante de que só havia amor e desamor. Era uma mensagem para sair dos pares de opostos, um convite que implicava desapego, isto é, uma capacidade de olhar com mais profundidade e descobrir os vários caminhos do amor e do desamor. Há vários raios do amor! Há vários graus de renúncia!

Jorge Waxemberg também nos convidou a olhar os vários graus ou raios da gratidão. E diz que a empatia também se manifesta em vários raios ou matizes! E fala também que há matizes da oração!

É a era da diversidade! O desapego, nos dois caminhos, dá lugar à complexidade de ser, à flexibilidade para a construção de uma nova consciência de viver em relação com o universo.

Emergem, assim, novas possibilidades, novas diversas diferentes perguntas profundas. Não é só isto ou aquilo, uma escolha limitada a duas opções! Os véus se desvelam, rasgam o conhecido pares de opostos para dar passagem ao desconhecido, ao potencial que está sendo gerado em novos estados de consciência. A criança nasce em cada instante!

Aceita o convite? Vamos transcender os pares de opostos? Vamos dar vida a uma multiplicidade de perguntas? E não é para jogar fora os pares de opostos. Isto seria uma atitude limitadora que reforça a atitude cultivada pelos pares de opostos, o discurso do isto serve e isto não serve. O convite é para ampliar o olhar, ir mais além dos pares de opostos. Em transcendência.

Vamos meditar sobre os dois caminhos? Vamos meditar sobre o desapego? Vamos transcender os pares de opostos?


Marilda Clareth

Revista Cafh
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