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Meditação como processo: uma experiência pessoal

A meditação é uma ferramenta usada no trabalho de desenvolvimento espiritual, na expansão do estado de consciência. É um processo.

Minha relação com a meditação ainda não é das melhores, não a uso como deveria usá-la, não aproveito dos seus benefícios, me boicoto. Mas conheço a sua importância, para ser mais específica, estou pensando muito mais na meditação, estabelecendo pontos do meu dia a dia para meditar.

Observo-me e levo mais para a meditação aspectos de que não gosto em mim e que ainda pratico. Faço isso sem julgamento, sem colocar a culpa no outro pela minha dificuldade ou atitude tomada, bem como por sentimentos negativos aflorados em mim.

Antes de praticar a meditação, o que eu fazia então? Ignorava esses aspectos de mim, acreditando que não eram meus, mas colocados pelo outro. E a cada desentendimento, esses sentimentos eram mais fortes e violentos dentro de mim, me machucando muito, porque eu não os compreendia. E quanto mais eu os negava, mais fortes eles se tornavam, me ferindo silenciosamente por dentro.

Seguia adiante, magoada, ferida, dentro do meu casulo. Não sei dizer como e nem quando comecei a me observar e reparar esses sentimentos e a considerá-los meus.

E durante muito tempo, reagi mal a esses sentimentos. Dizia que alguém havia despertado algo negativo em mim, sem reconhecer que esses sentimentos já habitavam o meu interior, esperando apenas uma brecha para emergir.

Voltei então à meditação, considerando-a um instrumento de trabalho. E as coisas estão ficando mais claras para mim, estou aprendendo ou mesmo criando o hábito de parar, deter-me, gostando ou não da minha conduta, entendendo que o que penso, sinto, falo ou faço, fazem parte de mim, mas que posso melhorar.

Nesta fase me dou conta de que a meditação, anteriormente, era como uma oração, em que eu simplesmente pedia a Divina Mãe, meu foco no divino, que me ajudasse a melhorar, sem fazer nenhum esforço para isso.

Hoje, me observo mais, me calo mais, e tento levar para a meditação o sentimento que cada situação me causa e como atuo nele. Isto é muito recente.

Em um dos meus momentos de meditação, tive uma imagem muito clara e simbólica: a de um rio seguindo seu curso.
Esse rio, em seu curso sereno e contínuo, por vezes é interrompido por objetos que são lançados em seu leito — galhos, pedras, detritos. No entanto, ele não para. Continua, porque sabe que novas águas virão, ajudando a empurrar ou a diluir o que dificulta o seu caminho. Essa imagem se tornou, para mim, uma metáfora viva do meu processo de desenvolvimento interior.

Levar essa imagem para dentro de mim, me ajudou a enxergar com mais compaixão as atitudes e sentimentos que, por muito tempo, rejeitei ou neguei. Percebi que aspectos de que não gosto em mim, os sentimentos que, por vezes, alimento sem perceber — como a raiva, a mágoa ou a impaciência — são como esses objetos jogados no rio. Eles atrapalham, confundem, dificultam, mas não precisam me impedir de seguir adiante.

Hoje, compreendo que meu caminho espiritual é um percurso que escolhi conscientemente a seguir, e que esse caminho me oferece diversas ferramentas de trabalho interior. A meditação é uma delas — talvez a mais poderosa.
É através dela que venho aprendendo a observar sem julgar, a acolher minhas emoções sem me identificar com elas, e, principalmente, a transformar o que precisa ser transformado.

Não se trata de negar quem sou, mas de me permitir evoluir. Dentro de mim há limitações sim, mas também há muito amor. E é esse amor — pela vida, por mim, pela Divina Mãe — que me move a continuar, mesmo quando o rio parece turbulento.
Entendo agora que o autoconhecimento é um processo contínuo, às vezes doloroso, mas sempre verdadeiro. É o compromisso da Alma consigo própria. E por mais que surjam obstáculos ao longo do caminho, é possível — e necessário — seguir. Porque, como o rio, cada um de nós tem uma força silenciosa que nos impulsiona a continuar, e águas frescas que chegam para nos renovar.


Rosali Lopes da Cruz

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