Meditar é abrir as asas
do ser que em mim habita,
é conhecer, reconhecer,
trabalhar os rios ocultos, que não conheço em mim
como sentimentos, vontades e desejos
que me prendem ao chão, me aprisionam
quando o céu me chama, viajo ao meu interior
Difícil é aceitar o erro,
mais difícil ainda é ver
que mudar é possível,
quando a cultura, a família,
as vozes do passado
dizem quem sou
e tentam me fixar no imutável.
Mas na senda aprendida em Cafh
descubro-me humanidade:
sou parte, sou todo,
e cada gesto meu
constrói ou fere
o caminho espiritual
do qual não estou separada.
Na meditação posso enxergar
ver quem sou — ouso mudar.
Me determino. Mesmo que pareça utopia,
realizo no instante
fortaleço a minha alma. Me torno dona de mim
Na meditação floresce a semente, potencializo a força
de ser diferente, de melhorar,
de deixar marcas mais leves, mais luminosas.
E quanto mais mergulho,
mais responsabilidade abraço.
Pesa, às vezes,
como pedra no peito,
mas é, em verdade,
a dádiva de assumir
meu trabalho no mundo.
Rosali Lopes da Cruz



