Problemas estão presentes em nossa vida e são de várias categorias (físico-emocional, financeiro, profissional, familiar etc.); dimensões (grandes e pequenos). O que para uns representa um “problemão”, para os outros pode ser algo muito simples, fácil de lidar, de encontrar a solução.
Pequenos ou grandes, os problemas nos acompanham tirando a paz de espírito, perturbando a tranquilidade da mente, provocando a alteração das batidas do coração, produzindo emoções, gerando conflitos.
Às vezes, temos a impressão de que eles são maiores do que nós próprios, que não são possíveis de serem analisados por ultrapassarem nosso campo de visão, de poder, de atuação. Quem não ficou de braços cruzados, sentindo-se incapaz diante de algum problema? Quem não saiu pensativo de alguma reunião tentando encontrar a solução para um problema apresentado.
Tem problema que parece ter tentáculos. Tentamos nos desvencilhar dele de um lado, ele nos agarra de outro lado; pensamos que o resolvemos, que estamos livres e, lá vem ele e nos prende novamente. Há problemas para serem solucionados com a mente; outros, com o coração.
Ao longo da vida, aprendemos a lidar com os problemas observando e escutando os nossos familiares em casa, amigos na escola, colegas no trabalho, desconhecidos no transporte, na rua… Mas, nem sempre escolhemos, dentre o que vemos, a melhor experiência de resolvê-los porque o problema, aparentemente, semelhante ao que estamos vivenciando, se estrutura no contexto de cada indivíduo. E cada contexto é único, faz parte da história de vida daquela pessoa. Daí a necessidade da análise minuciosa do problema para usar a estratégia de solução mais adequada e exequível e, assim, encontrar as melhores saídas, soluções.
Primeiro, precisamos ter consciência de que todos têm problemas. Não somos os únicos a viver determinadas situações. Não há privilégios, em se tratando de problemas.
Segundo, compreender que os aprendizados vividos para solucionar um problema, vão desenvolver mais a capacidade de resolver novos problemas de forma mais ágil.
Dei-me conta disso, outro dia, assistindo ao lindo e instigante documentário “Professor Polvo”. Esse documentário trata da amizade entre o documentarista e um polvo, desenvolvida ao longo de meses. Entre muitos aprendizados, pude constatar com a personagem principal, o Polvo, que ter problema nos torna melhores, mais sabidos, mais empáticos, mais tolerantes.
Há várias cenas em que o polvo foge do tubarão, seu predador natural, seu problema permanente. Em cada momento, ele estuda o entorno e usa alguma(s) estratégia(s) para salvar a sua vida: solta tinta preta para turvar a água, dificultando sua localização; se rosqueia nas algas, disfarçando seus tentáculos molengas com as folhas em movimento das plantas; se esconde nas frestas das grutas, impossibilitando que o animal faminto o agarre; gruda conchinhas nos tentáculos e os envolve em si protegendo a cabeça, formando uma bola dura que rola ao ser tocada pelo grande peixe; e a mais fantástica é montar nas costas do próprio tubarão, que se movimenta, tentando agarrá-lo sem sucesso.
Foi o tempo. Foi o amadurecimento. Foi a experiência. Foi a repetição da situação que possibilitou o polvo sair ileso cada vez com mais rapidez, criatividade e agilidade. Podemos dizer que foi o tubarão que levou o polvo a desenvolver as suas potencialidades.
Será que precisamos encarar as situações desagradáveis da vida como problemas ou existe outra maneira de lidar com elas?
A origem de nossos problemas pode estar em nossa atitude frente às situações da vida. Quem afirma isso é Jorge Waxemberg, autor do livro A arte de viver em relação. “Quando desenvolvemos uma atitude, de aceitação, inevitavelmente, buscamos e encontramos o conselho oportuno, a ajuda necessária, a força interior que nos leva a superar nossas dificuldades.” (p.36)
É decisão nossa encarar as situações adversas da vida como dificuldades ou problemas. Se recebemos, o que aparenta ser um problema, com uma atitude de aceitação, podemos compreendê-lo como uma possibilidade ofertada pela vida para impulsionar o nosso desenvolvimento.
Referências:
1. Professor Polvo
Direção: James Reed, Pippa Ehrlich
País/Ano – África do Sul – 2020
Disponível: Netflix
2. WAXEMBERG, Jorge. A relação com nossos problemas e dificuldades. A arte de viver em Relação. Edição 2015: p.34-37
Disponível, gratuitamente, em https://cafh.org/pt/livros/



