O que uma simples freira pode ensinar sobre o amor divino? Conheça a vida de Teresa d’Ávila, através de suas experiências místicas, revelou a profundidade do amor de Deus e nos convida a uma jornada interior em busca da perfeição espiritual.
Teresa Sanchez Cepeda D’Ávila e Ahumada nasceu em Ávila, Espanha, em 28 de março de 1515.
Igualmente a Francisco de Assis, tinha pais ilustres, Alonso de Cepeda e Beatriz de Ahumada que, juntos, tiveram 10 filhos, afora os outros 2 do primeiro casamento do pai. Teresa era a terceira filha do casal, cujo temperamento era alegre, vivaz, sociável, dinâmico, afetivo, terno, generoso.
Perdeu a sua mãe ainda menina, quando tinha 13 anos, sendo enviada pelo pai para um colégio religioso, o que a levou a escolher entrar no Convento Carmelo da Encarnação, ou das Carmelitas, por temer a vida predestinada para todas as mulheres daquela época: casar-se, ter filhos.
Mas, vale lembrar que Teresa desde pequena já possuía um coração inflamado de amor pela Virgem Maria, tendo sempre o seu irmão Rodrigo como companheiro dos momentos de orações. Esta vocação foi se acentuando por meio de leituras, influência dos franciscanos e pelo amor desenvolvido por Jesus Cristo.
Um ano após o seu ingresso no Convento, Teresa adoeceu gravemente e creditou a cura à intercessão de São José, embora tenha ficado com um corpo frágil, decorrente de sequelas ocasionadas pelas frequentes afecções. Durante a sua vida no Convento, já com 40 anos, logo após a morte de seu pai, tornou-se mais disciplinada, devota e atuante, fundando 15 conventos de carmelitas descalças reformadas.
Parceira incondicional de São João da Cruz, juntos, fundaram 14 conventos de religiosos da ordem Carmelita.
A intimidade de Teresa e Jesus era tão profunda e intensa que nos seus diálogos sugeria o que Ele deveria fazer, se queixava a Ele do que lhe acontecera, como registra Ortega (1990):
“Santa Teresa rogava a Nosso Senhor que, em vez de cumulá-la com tantos fervores, os dispensasse a homens sábios, aos sacerdotes, aos religiosos e aos teólogos. E Ele lhe respondeu: “Esses não têm tempo nem vontade de travar relações de confiança comigo. Sempre me desdenham, tenho, pois, que me dirigir a simples mulheres, se quiser ter o consolo de tratar de meus interesses com a humanidade”.
Quando ela caiu na água, em uma de suas viagens, e se queixou a Ele, recebeu como resposta: “Assim trato eu meus amigos”. […] E ela vivazmente responde […] “Por isso os tens tão poucos” (ORTEGA, 1990, p.374). Dizia Teresa que Deus “doura as culpas” e tira o máximo partido do que é bom em cada um de nós.
Teresa de Jesus era inteligente, mística, poetisa, escritora de livros, cartas, poesias, escritos soltos e memoriais, mas teve que silenciar o seu talento com o uso das letras, o conhecimento teológico e a entrega de si mesma, relatando suas experiências espirituais com humildade, para não ser tratada como herege, nem decapitada pela inquisição.
Alguns livros que Teresa escreveu: Livro da Vida; Caminho de Perfeição; Castelo Interior ou As Moradas; As Fundações; Contas de Consciência; Meditações sobre os Cânticos dos Cânticos; Visita de Descalças; Desafio Espiritual; Vexame; Exclamações; e a sua extraordinária autobiografia, muito posterior às confissões do Mestre Agostinho.
Teresa foi beatificada por Paulo V, em 1614; canonizada por Gregório XV, em 1622; e a primeira a receber o título de Doutora da Igreja, por Paulo VI, em 1970, deixando, dentre inúmeras contribuições, uma Oração de fé, esperança e amor ao Divino – “Só Deus Basta”.
“Nada te perturbe, nada te espante,
Tudo passa, Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem, nada lhe falta:
Só Deus basta.
Eleva o pensamento, ao céu sobe,
Por nada te angusties, nada te perturbe.
A Jesus Cristo segue, com grande entrega,
E, venha o que vier, nada te espante.
Vês a glória do mundo? É glória vã;
Nada tem de estável, tudo passa.
Deseje às coisas celestes, que sempre duram;
Fiel e rico em promessas, Deus não muda.
Ama-o como merece, Bondade Imensa;
Quem a Deus tem,
mesmo que passe por momentos difíceis;
Sendo Deus o seu tesouro, nada lhe falta.
SÓ DEUS BASTA!”
Totalmente entregue e abandonada nos braços de Jesus Cristo, conforme Ribeiro (2023), foi conduzida às “sétimas moradas”, comprovando que Deus não deseja outra coisa senão dar-Se a quem O queira receber. Seu falecimento ocorreu em Alba de Tormes, em 4 de outubro de 1582.
Referências:
ORTEGA, Alicia. A Mística e os Místicos, do amor que excede todo o conhecimento. São Paulo: ECE, 1990.
RIBEIRO, Leila. Conheça a história de Santa Teresa D’’Avila (Santa Teresa de Jesus). Site – https://arqbrasilia.com.br/conheca-a-historia-de-santa-teresa-de-avila-santa-teresa-de-jesus/. Acesso: 12 de março de 2023, às 14h:30.



