Nas últimas matérias publicadas pela Revista Cafh, a Renúncia foi apresentada como um caminho transformador para superar o impasse da Ciência Social para o século XXI. Agora, me pergunto: por onde começamos esse processo de transformação?
Acho que o caminho que percorremos em Cafh pode nos dar pistas de como processar o caminho de todos.
O primeiro passo é o “despertar” da necessidade de conhecimento de si mesmo. E isso nos leva, com diferenciais para cada alma, à angústia existencial ante a realidade do que somos e à distância da ideia que fazemos de nós mesmos.
A seguir, como requisito indispensável, entra o “querer” trabalhar em si mesmo, ou seja, a necessidade de um método e orientação para as mudanças.
A complexidade é tão grande, a concatenação de erros, de violências e desacordos, de falsidades e mentiras ditas como verdades dadas às massas – que se orientam por elas –, criam vórtices de ódio e ressentimento em posições fanáticas e extremistas que não parece possível haver paz e tolerâncias entre os homens e as nações.
A gente se pergunta “e se…?”, e pensa muitas coisas e caminhos que tragam uma solução. Contudo, nos defrontamos com o que parece ser apenas um caminho: o desenvolver da consciência, visto que “se” os seres humanos tivessem um estado de consciência mais evoluído, certamente não cometeriam os erros e as mentiras que sustentam governos de ódio, reinando, assim, a paz. E é esse o trabalho de Cafh, nos mostrar que somos trabalhadores da consciência, procurando desenvolver a egoência… É isso o que estamos fazendo!
A egoência é a consciência de si mesmo, da responsabilidade que nos cabe por ser parte da humanidade neste momento, neste lugar e neste tempo, fazendo de nós mesmos o aporte à humanidade.
A humanidade está formada por todos os humanos que foram e dos que virão e, fundamentalmente, dos que hoje estamos aqui e agora. Todos, sem nenhuma exceção, influenciamos, uns um pouco mais, outros um pouco menos. Porém, todos compomos a humanidade e tudo o que fazemos, sentimos ou pensamos é agregado ao corpo integral da humanidade, com suas correspondentes consequências.
Se planto uma árvore ou se educo uma criança, é isso o que agrego. Se assisto às necessidades de alguém e cultivo o amor e a tolerância em mim, também é isso o que agrego. Todavia, se fomento a mentira, o ódio ou ressentimento, serão essas as minhas contribuições.
A mensagem de Cafh, portanto, é desenvolver a consciência de si em comunhão com todos os seres humanos. E escolhendo conscientemente o Amor e a Mística do Coração, pavimentamos uma via para a paz e para a compreensão entre os seres, sendo a Ascética da Renúncia o caminho para tomar e deixar, na alegria de viver o processo do devir.
Enrique Sevilla


