Descobrir nosso propósito

Encontrar nosso lugar no mundo

“Quero me tornar a chuva que limpa os telhados.
Quero me tornar uma onda e levar o passado embora.
Quero me tornar o fogo, que queima e purifica.
Mas, se eu puder, quero ser eu mesmo.

Não consegui confirmar, no entanto, tenho uma forte inclinação a pensar que o poema acima é de autoria de Mihai Eminescu, poeta romeno, que viveu no período de 1850 a 1889.

O último verso chama muito a minha atenção: “Mas, se eu puder, quero ser eu mesmo.”.

Por que está na condicional? Qual a dificuldade em sermos nós mesmos?

Em minhas reflexões percebo alguns aspectos que, quem sabe, possam nos ajudar a responder tais indagações.

Encontrar nosso lugar no mundo

Notou que, por exemplo, adoramos quando fazemos uma viagem, visitamos lugares, conhecemos gente nova, culturas, comidas diferentes?

Notou também, no entanto, que ao chegar em casa, sentimos um alívio? É como retornar a um lugar de aconchego, de abraço. Não é assim? É o nosso lugar, nosso lar.

Encontrar nosso lugar no mundo, em minha opinião, é parecido.  É o lugar onde nos sentimos bem com o que fazemos, com o que pensamos e sentimos, com a forma que decidimos viver nossa vida e dar nossa contribuição para o engrandecimento da humanidade.

Um ponto chave, para mim, é ter claro quais são nossos princípios e nossos valores. Eles determinam o rumo que traçamos e como decidimos cada ação. Por exemplo, respeito aos demais, respeito a toda forma de diversidade, honestidade, cuidar do meio ambiente etc.

Determinam nossas ações, porque as decisões que tomamos, o lugar no qual trabalhamos ou a profissão que escolhemos podem estar ou não em coerência com esses princípios, com esses valores. Isso nos leva a nos sentirmos bem conosco mesmos. Ou não.

Caso nos traga insatisfação, falta de plenitude, vale avaliar. Sempre há outras possibilidades, outras formas, outros meios.

Muitas vezes, por apego, ou por necessidade nos sujeitamos a lugares que não são o nosso.

Tudo bem. Que seja temporário. Busquemos novas soluções.

Somos seres humanos, infinitas possibilidades se abrem sempre à nossa frente.

Nosso lugar é aquele que se encaixa com nossos princípios e valores e nos faz felizes.

Coragem para seguir em frente – Crer em si mesmo

Por mais que consigamos viver de acordo com nossos princípios, com nossos valores mais elevados, que consideram o melhor para o outro, para a sociedade, para a humanidade, não significa que estejamos livres de ser alvos da crítica, do olhar maldoso dos demais.

Não podemos controlar a opinião dos outros sobre nós. É inevitável.

É parte da confiança em nós mesmos, de nossas boas intenções, trabalhar para superar a censura, a crítica mal-intencionada, as opiniões maliciosas.

Muitas vezes a incompreensão vem de quem está perto, da própria família, por exemplo.

É doloroso, sim, é. Por isso é importante o autoconhecimento.

É uma força que precisamos cultivar.

Criticar prejudica tanto ao criticado quanto a quem critica.

Não alimentar a crítica aos demais é uma forma de ação que ajuda a compreender o mundo a nossa volta, a aprender, a conviver com o diferente. Construir juntos.

Outra ação que podemos ter em conta é liberar-se do que dirão, da necessidade de receber adulação.

Aceitar a crítica e a retroalimentação como meios para o próprio conhecimento.

Encontrar nosso lugar no mundo, então, é transformar o que a vida nos oferece em fortaleza.

É nossa possibilidade para viver plenamente.


Sergio R. da Cruz

Revista Cafh
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