Bato forte o martelo
contra o cinzel
em meu próprio corpo
que rígido e firme
resiste em mudar:
Sua forma,
Sua imagem, seu aspecto
Suas características,
Seu jeito de conviver.
Está tudo encrustado,
difícil de remover.
Sou ao mesmo tempo:
o escultor,
a escultura.
Tenho ao mesmo tempo:
vontade de me transformar,
medo do que vão pensar.
Preciso me conhecer para me desconhecer.
Preciso me analisar para me desconcertar.
Mergulhado na mesmice, quero me surpreender
no que vou me transformar.
Sinto dor.
Sinto desconforto.
Não caibo mais na pele.
Do casulo preciso me libertar.
Eu sou…
Eu gosto…
Eu sei…
Eu faço…
Eu, eu, eu…
Não existe mais.
Sou um puro nada!
Jeanne Amália



