Egoência.
Consciência plena de si,
Em comunhão com todos os seres humanos
E em participação com a consciência cósmica.
Consciência plena de si.
Sou o que sou.
No entanto, não sei o que sou,
Porque o que aparece à minha consciência
É o que me constitui como corpo,
Como sentidos e emoções,
Como divagações dos pensamentos.
E eles passam,
E eles morrem,
E eu continuo sendo.
Sendo em um presente,
Por um lado, fugitivo,
Morrendo em um passado inexistente.
E por outro lado, eterno,
Por ser o derramar-se perpétuo
Do potencial do eterno futuro.
Sou, pois, no eterno e fugitivo presente.
Por um lado, eterno no tempo presente.
Por outro lado, pó do caminho,
No fugitivo presente.
Para além do espaço e do tempo,
Onde sou um ignorado eterno,
E um insignificante nada do presente.
Sou a consciência de mim,
Identidade sem nome,
Sem constituintes do corpo,
Sem sequência de pensamentos,
Nem com os ardores dos sentidos,
Das paixões, das lembranças de instantes mortos.”
Sou o que sou,
Consciência plena de si,
Em comunhão com todos os seres humanos,
Célula pequenissíma semioculta
Nos desdobramentos do tempo.
Quenrie



