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Desenvolvimento Espiritual: a janela como espelho e portal

Entendo o desenvolvimento espiritual como o estado de consciência com o qual nos relacionamos com a vida. Nesse sentido, nosso estado de ânimo influi diretamente nessa relação.
Nossa relação com os demais, com o ambiente, com tudo, reflete o que se passa em nosso interior.

Quando olhamos pela nossa janela, o que vemos? O que percebemos? O que nos interessa? Vemos, de fato, o mundo ou conjecturamos sobre o que vemos baseados nas nossas vivências, experiências?

Olhando agora pela janela, vejo, na avenida, carros em ambas as direções. Para onde será que vão? O que irão fazer? Estão sós, com a família? Passa um homem em uma bicicleta, dessas que tem um cesto de carga. O que será que leva? Alimento, comida para os filhos? De outro lado uma senhora passeia com seus pets. Ao longe dois homens conversam. O que contarão um ao outro? Alegrias, tristezas, desafios, contas a pagar, novidades sobre suas vidas.

A janela permite, nesse momento, que eu estabeleça contato com o mundo, com o movimento, com o sentido de pertencimento a algo maior que nós mesmos. A relação com a vida.

A janela como espelho e portal

Essa janela pode ser física, pode ser virtual ou pode ser, assim como um portal ao nosso interior.

As perguntas que surgem da observação das cenas desse cotidiano criam aproximações com essas pessoas e, também, podem criar distorções do que, em verdade, está ocorrendo, porque as respostas tomam por base as ideias, julgamentos e estado de espírito do observador.

O que vemos e percebemos está enviesado para o bem ou para o mal por nosso ânimo, por nosso humor.

Vejamos, por exemplo, um caso do pintor Henri Matisse, quando viveu um período em Callioure, uma cidade portuária na França, à beira do mar Mediterrâneo.

Da janela de sua casa ele via o mar e os barcos no porto. Em 1905 retratou o que via em seu quadro intitulado “Janela aberta”.

Figura 1- Henri Matisse, Janela
aberta, Callioure, 1905
Figura 2 – Henri Matisse,
Janela francesa, Callioure, 1914

Quase dez anos depois, em 1914, da mesma vista apresentou ao mundo o quadro “Janela francesa”.

O Mediterrâneo seguia lá. Os barcos no porto também. O que mudou?

Em 1914 se iniciava a primeira guerra mundial. Paris, cidade natal de Matisse, estava sob ataque. Seus pais, que viviam na cidade, estavam sofrendo as consequências diretas dessa ofensiva e, claro, o filho estava muito preocupado com tudo isso. O futuro era sombrio, aterrador.

Não é de estranhar que estivesse vendo o mundo como um lugar de escuridão.

Consciência de si, expansão do estado de consciência

O exemplo acima é ilustrativo de como nosso estado de ânimo, nossas preocupações, afetam como vemos e como nos relacionamos com o mundo a nossa volta e um alerta da importância do autoconhecimento para que, antes de julgar uma situação, emitir uma crítica, tenhamos clareza de que podemos estar sob efeito do ânimo, decorrente do nosso estado de consciência.

Cada um de nós vê e se relaciona com o mundo de uma forma, e esta depende do que estamos vivendo interiormente.

Quando nos fixamos em nossas próprias ideias e não abrimos nossa mente ao novo, a uma opinião diferente, limitamos nosso olhar por um determinado marco. Pode ser uma ideia fixa. Pode ser uma questão cultural. Pode ser uma crença religiosa. Muitos são nossos marcos.

Então, nossa solução passa por expandir nosso estado de consciência. Uma forma pode ser a de explorar a “janela” como espaço de introspecção, onde o olhar para fora transforma-se em um olhar para dentro. 

A meditação, por exemplo, ajuda a recriar, num quadro imaginativo, uma situação, uma experiência, e possibilita vivenciá-la novamente e poder escolher dar uma resposta, quem sabe, diferente da original, positiva, mais compassiva e expansiva, gerando novos vínculos.

Expandir o estado de consciência inspira a gerar mudanças, tanto internas quanto externas.

As janelas, sejam elas físicas, virtuais ou metafóricas, são portais de autoconhecimento, aprendizado e empatia.

Faça você também essa jornada.

Sergio da Cruz

Revista Cafh
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