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O sentido vivo da renúncia: mais que deixar, é aprender a ser

Mais do que perder, renunciar é aprender a estar inteiro em cada instante, em relação consigo, com os outros e com a vida.

A interpretação do que significa renunciar, quase sempre, está relacionada a deixar algo, a perder, a não poder mais. No entanto, há uma outra forma. Viver, conscientemente, a lei da Renúncia.

Falamos em lei, porque é a realidade e dela não se pode escapar, faz parte do viver, do experienciar, do estar, do ser. Uma lei há de se cumprir.

É um campo vasto, que abarca todos os seres, todas as coisas. Nesse sentido, renunciar é viver de forma consciente cada momento de nossas vidas. Atenção plena aos nossos pensamentos, aos nossos sentimentos, as nossas ações.

Um mantra que está presente para os que seguem o método de vida orientado por Cafh é o de viver a Renúncia como presença, participação e reversibilidade.

Longe de buscar esgotar o tema, vamos refletir sobre alguns aspectos de nosso viver que se encaixam nesse mantra.

A Renúncia como presença

Presença implica muitas coisas, uma delas é viver o presente, viver o agora.

Viver o agora nos tira a possibilidade de fugir de nossa realidade.

Se o que estamos vivendo é desagradável, tentamos escapar, pensar em outras coisas, estar em outro lugar, ou seja, não queremos ver o que está ocorrendo. Cegamos a nós mesmos.

O sentido de presença, no entanto, nos ajuda a focar, a compreender, a solucionar.

Se, por exemplo, estamos entediados, começamos a buscar o que fazer, a reclamar da vida, ou a saciar uma fome que não está.

Se renunciamos a essa fuga, mergulhamos em nós mesmos, compreendemos a causa, o motivo desse sentimento de tédio. Se o caso exige alguma ação, tomamos a melhor decisão, mas pode ser que exija somente observar a nós mesmos, observar o que estamos pensando e sentindo, para, a partir daí, expandir nossa compreensão do mundo e da vida.

Essa expansão nos leva ao próximo passo.

A Renúncia como participação

Através da observação honesta de nós mesmos e da vida, percebemos que não somos diferentes de todos. Vivemos as mesmas dores, os mesmos espaços, a mesma realidade. Somos parte e participamos.

Veja, que interessante. Estamos presos no trânsito das grandes cidades, engarrafamento, um tempo enorme de deslocamento. Reclamamos – que transito! Paramos e pensamos – eu faço parte da formação desse trânsito. Eu estou aqui. Então, o que posso fazer para que o trânsito flua melhor?
Logo, deixa de fazer sentido viver como expectadores, olhando e criticando.

A sociedade, por exemplo. Não há essa sociedade, ou nós e os outros, todos somos. Se não estamos de acordo com o que está ocorrendo, tratemos de pensar e fazer diferente. Construindo.

É comum, agora, criticar a polaridade do mundo. Então, perguntemos a nós mesmos – que estou fazendo de diferente para suplantar essa polaridade?

Quero acabar com as guerras – pergunto – como me relaciono com os demais? Crio ambientes de paz e de segurança ou de desagrado e competição?

Renunciar, nesse sentido, é deixar de achar que somos o centro do universo e que tudo gira ao nosso redor e ser conscientes do contexto da vida em cada momento e espaço em que estamos.

Participar é ser parte ativa da solução, o que nos ajuda a seguir rumo à reversibilidade.

A Renúncia como reversibilidade

Então, é sabido que não vemos a realidade como é, mas como a interpretamos. Se assim é, por todo nosso esforço de viver a presença e a participação, podemos tender a pensar que sabemos tudo. Que sempre encontramos a melhor solução. Não é mesmo?

É comum o ditado que se perguntamos a duas pessoas que foram à mesma festa, como foi, cada uma vai contar de uma forma, de acordo com os gostos, preferências, conversas de cada um. Até pode parecer que não estiveram no mesmo lugar.

A reversibilidade é justamente entender que pode ser diferente, que o outro pode interpretar de outra forma. Que não há uma forma única de viver e de ser.

Essa compreensão leva a uma abertura mental, à disposição para o diálogo, à empatia e ao amor desinteressado. Leva a respeitar o outro, a respeitar o meio ambiente, a respeitar o desconhecido.

Dialogar é compreender, desde o significado que cada um dá ao momento, às palavras, aos gestos.

A reversibilidade nos ajuda a respeitar diferentes culturas, credos, religiões, orientações. A viver plenamente a diversidade da vida.

Olha, fica o convite. Viver plenamente a Renúncia.

Sergio da Cruz

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