O Caminho da Renúncia é o caminho do amor.
O amor de renúncia afirma a alma em sua vocação e a leva a trabalhar em seu desenvolvimento. Este amor ao divino, puro e simples, impulsa-a, no interior, a exercer controle sobre si mesma, a explorar e reconhecer sua individualidade; no exterior se expressa como oferenda e serviço às almas.
A palavra amor tem muitas conotações. É comum chamar de amor um sentimento que se desvanece rapidamente com o tempo e as mudanças. Chama-se também amor ao instinto, à paixão, ao companheirismo e à amizade. Usa-se a mesma palavra para expressar o anseio interior de plenitude e de liberdade espiritual.
Isto confunde as almas que às vezes se iludem e buscam um sentimento de amor que dê significado a suas vidas, naquilo que é passageiro. Ao não o encontrar, sentem que o amor as frustra. Deve-se compreender que a plenitude não é alcançada com sentimentos que se desgastam com o tempo e as mudancas.
Às vezes, as almas, estimuladas pela leitura de um livro, diante de um belo quadro, ao realizar o exercício de meditação ou ao falar com outra alma, comovem-se e desejam ser melhores. Estes impulsos a levam a sonhar com um mundo de paz e de melhores possibilidades. Começa a se manifestar nelas a ideia de um compromisso amoroso com a humanidade.
Mas só depois que a alma aprende a exercer controle sobre si mesma e a reservar suas energias é que começa a crescer nela o amor de renúncia.
A alma não desperdiça sua energia física porque se faz consciente de seu potencial e do bem que pode fazer aos demais com seu trabalho.
A alma não dissipa sua energia mental porque descobre que com essa força pode gerar pensamentos e obras de bem para o mundo.
A alma não utiliza de forma egoísta sua energia espiritual porque compreende que somente através da oferenda se une ao divino e às almas.
A reserva de energias motivada por uma atitude de serviço dá uma visão clara e equilibrada de si mesmo, pois permite reconhecer as próprias forças, as debilidades, os anseios e as possibilidades. Sobretudo, permite reconhecer o verdadeiro território: a humanidade. A alma deixa de ser o centro de seu pequeno mundo e passa a ser uma alma entre as almas. Este equilíbrio a fortalece em seu interior e a aproxima das almas com aceitação, compreensão e um amor desinteressado.
O Amor-Renúncia não se manifesta através de sinais sensíveis. É um estado que une a alma com todas as almas e a centraliza em seu coração numa atitude de profundo silêncio e imobilidade espiritual. Este amor não arrasta como uma labareda ardente, mas também não se apaga. Sempre está presente como certeza do próprio destino, como perseverança no esforço, como assistência às almas, como amor à Divina Mãe no recolhimento e na oração.
O amor de Renúncia dá sem esperar nada, sem ansiar por nada e faz do coração do ser humano a morada da Divina Mãe.



