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A espiritualidade como verdade encarnada

Vivemos tempos em que a espiritualidade é muitas vezes confundida com aparência, discurso ou busca de conforto interior. No entanto, a vida espiritual, quando é verdadeira, não se refugia do mundo: ela o transforma.

Em nossa jornada de vida, recebemos muitos chamados, de diferentes formas. Santiago Bovisio, quem escreveu em um de seus diversos textos: – “A vida espiritual é a verdade. Fazei da vida espiritual uma verdade”, é um forte chamado interior.

Simples, direto, mas cheio de significado. Um convite a sair de nosso lugar comum e ir além da ideia de espiritualidade como crença, prática ou ideal — e a percebê-la como modo de ser, expressão de autenticidade e presença viva da verdade em cada gesto.

É um caminho de coerência — entre o que sentimos, pensamos e fazemos. Um convite a tornar o espírito não um conceito, mas uma realidade encarnada em nosso cotidiano.

A distinção entre “conhecer a verdade” e “viver a verdade”.

Me vem fortemente aqui, a ideia do discernimento. Muitas vezes já me percebi repetindo ideias, conceitos, sem que me desse conta de que realmente não entendia bem o que queria dizer.

Há uma passagem na vida de Gandhi, que ilustra esse ponto. Uma mãe foi com seu filho ver a Gandhi e pediu a esse que aconselhasse o filho a não comer açúcar. Depois de uns minutos de reflexão Gandhi pediu à mulher que voltasse em uma semana. Passado esse tempo a mãe voltou com o menino a quem Gandhi orientou – não coma açúcar. A senhora, um tanto indignada, perguntou – por que não disse isso uma semana atrás? Gandhi respondeu – nunca havia comido açúcar e por isso não sabia o que aconselhar. Durante essa semana, experimentei e percebi que não faz bem à saúde e assim, posso fazer essa afirmação.

Então…… há uma diferença entre crer em uma ideia, uma doutrina, uma possibilidade e experimentá-la, encarná-la no cotidiano.

Com o esforço, a exercitação, o autoconhecimento, a verdade espiritual deixa de ser uma teoria e passa a ser uma experiência vivida.

Implica não viver de aparências espirituais, mas de coerência interior.

Não basta falar de luz; é preciso ser luz nas relações, nas decisões e nos gestos simples do dia.

Transformar o cotidiano em expressão do espiritual.

A vida espiritual é o coração da existência.

Pode-se observar, em forma geral, que fazemos uma separação entre a vida prática e a vida espiritual, como se fossem coisas separadas. Um momento para uma e outro para a outra.

Fazer da “vida espiritual uma verdade” não é fugir ou se separar do mundo, mas espiritualizar o mundo.

É a integração entre o espiritual e o prático.

Podemos, por exemplo:
Fazer do trabalho um serviço – Ao realizar nosso trabalho profissional, não importa qual o tipo, se manual, intelectual, ou qual seja, manter uma atitude de serviço, de oferenda ao outro. Pensar que é algo para o bem do outro, da humanidade. Além de nos libertar da tendência de reclamar do que estamos fazendo, que o chefe não entende, que o cliente só exige, amplia nossos horizontes, libera o estres e nos faz mais felizes.

Fazer da escuta uma oração – Estar por inteiro frente ao outro é um ato de presença, nos tira de estar sempre centrados em nós mesmos, em nossas necessidades e preocupações. A abrir-se à vida que nos rodeia.

Fazer das relações um campo de aprendizado – Através da troca com outros, conhecidos e desconhecidos que temos as oportunidades de aprender, de confrontar com nós mesmos, com nossas próprias ideias e conceitos e a perceber a realidade desde outros pontos de vista.

A vida espiritual se torna verdade quando enfrentamos nossos próprios enganos, sombras e ilusões.

Cultivando a verdade espiritual.

Parece simples. Óbvio que não é.
Demanda de nós determinação, desejo, perseverança.
Alguns pequenos atos que podem nos ajudar:
• Praticar o silêncio interior diariamente.
• Escolher uma atitude consciente em cada situação.
• Cultivar gratidão e serviço desinteressado.
• Observar as incoerências sem julgamento, as nossas e dos demais e corrigi-las com amor.

A espiritualidade, a vida interior, se revela quando somos sinceros conosco mesmos, e nos liberta porque nos revela quem somos.

Nesse sentido, fazer da vida espiritual uma verdade é o mesmo que fazer de si mesmo um agente vivo da verdade, como exemplo silencioso de quem vive e irradia, sem se impor. Transformar a própria vida em verdade é o mais belo ato de espiritualidade. Que a espiritualidade que inspiramos em palavras se torne gesto, olhar e atitude.

Agora mesmo, em cada ato simples, em cada movimento, em cada pensamento, podemos começar a fazer da vida espiritual uma verdade.

Conheça nosso método.

Sergio da Cruz

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