Na chamada era da informação, estamos imersos em um oceano infinito de dados, artigos, opiniões e resumos. Falamos sobre tudo, comentamos sobre tudo, acessamos tudo. Desse acesso superficial, nasce uma presunção perigosa: “eu sei”.
Essa atitude presunçosa pode parecer, à primeira vista, apenas engraçada ou ousada. Mas se analisarmos mais profundamente, com honestidade, quantos desses conceitos, teorias e visões de mundo nós realmente dominamos? Quantos repetimos apenas porque foi dito por alguém ou instituição considerada importante?
Acabamos por dogmatizar nosso saber em um tempo onde o conhecimento está em revolução permanente, onde o que é “verdade” hoje, pode ser “fake” amanhã.
Por que fazemos isso? Será apenas uma questão de falta de humildade intelectual? Ou existe um conforto, quase um instinto de conservação, em querer guardar ideias e conceitos como se fossem relíquias em potes de vidro? Quanto mais hermético, mais “puro” e intacto imaginamos que nosso saber permanece, protegido do contraditório e da erosão do tempo.
No entanto, a verdadeira sabedoria nesta era não está na posse estática de informações, mas em sua transformação ativa. O desafio é parar de acumular certezas e começar a utilizar a informação como ferramenta — para questionar, para conectar pontos distantes, para expandir os limites da nossa própria consciência.
Em vez de potes fechados, precisamos de janelas abertas. Em vez de um estoque de respostas, podemos cultivar um repertório de perguntas melhores. O antídoto para o dogmatismo não é saber mais, mas duvidar melhor. É reconhecer que “não sei” não é um ponto final, mas o limiar mais fértil para um aprendizado verdadeiro e para um diálogo genuíno com o mundo.
Assim, a pergunta inicial se desdobra: “Eu não sei que não sei, e agora?”. Agora, é tempo de trocar a armadura da certeza pela coragem da curiosidade. Aceitar que saber, hoje, é um verbo dinâmico: é filtrar, contextualizar, relacionar e, sobretudo, estar sempre disposto a desaprender para aprender de novo. Esse é o caminho para transformar a informação em insight e a opinião em compreensão.
Andres De La Via



