Acordei, hoje de manhã e, em silêncio, abri a janela do meu quarto. E uma emoção abriu meu coração quando contemplei, no alto céu, ao amanhecer, o voo de pássaros, pombas, andorinhas. Serenos, ágeis, leves atravessavam o azul do infinito céu. Nenhuma nuvem, o sol se levantando e pássaros voando!
Meu pensamento e minha emoção deram-se as mãos. Que alegria admirar o voo dos pássaros! Um encantamento em forma de oração que me fazia sentir a presença divina. O voo de minha alma e o voo dos pássaros eram uma expressão da divindade, uma beleza rara de almas irmãs que buscavam o infinito, buscavam pousar no mistério indizível de Deus.
Compreender que, sob o voo dos pássaros e sob a emoção que eleva o meu sentir, a divindade se faz vida, se faz visível, se faz ser e se permite habitar em meu corpo físico, mental, espiritual. Faz com que meu estado físico, mental, espiritual entre em sintonia com algo maior, com o mistério de existir que vibra na vida em forma de emoção, sentimento, razão, silêncio, alegria, paz… e se faz consciência de ver, pensar, sentir, participar em mistério de amor, reverência, um dar-se conta do que se oculta sob o voo do pássaro.
Ao abrir a janela do quarto, entrou a graça de contemplar a oração, o voo dos pássaros e com os olhos de gratidão, meu ser ganhou um presente. Recordei-me com reverência e profundo silêncio que recebemos tesouros do coração da Divina Mãe e um deles é “a experiência eterna, feita através da construção e da destruição dos universos para demonstrar a profundidade incomensurável da eternidade sempre presente, nunca criada, nunca destruída.
Ela fará com que se abram os olhos sobre o mundo, olhando as mudanças e as voltas do tempo como a criança olha a passagem das aves no céu.” (Santiago Bovísio, 1953)
Neste instante, eu era uma criança olhando as aves voando no céu do espírito.
marilda clareth



